Brasília, 27 de fevereiro de 2026.
O plenário do Confea manifestou-se nesta sexta-feira (27) em defesa da apreciação e tramitação, pelo Congresso Nacional, da proposta que cria incentivos fiscais para a instalação de data centers no Brasil.
A mobilização ocorre após o Senado deixar expirar o prazo do projeto de lei que precisava ser aprovado até quarta-feira (25) para substituir a medida provisória que instituiu o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter). O programa prevê isenção ou diminuição de tributos federais na aquisição de equipamentos de tecnologia e comunicação. Em contrapartida, as empresas beneficiadas devem investir em pesquisa e desenvolvimento, utilizar fontes de energia renovável e assegurar o uso eficiente da água. Diante do impasse do PL, o governo avalia alternativas para negociar o tema no Legislativo e restabelecer o Redata.
"O segmento de data centers envolve investimentos de grande porte, geração de empregos qualificados e estimula a cadeia produtiva de energia, telecomunicações e construção civil, além de contribuir para o fortalecimento e soberania digital”, destacou o conselheiro federal e engenheiro eletricista Brazil Versoza, na abertura da Sessão Plenária n° 1.739.
O presidente do Confea, engenheiro de telecomunicações Vinicius Marchese, salientou a relevância do tema para a competitividade brasileira em um mercado que cresce de forma acelerada no mundo todo. “Sem essa infraestrutura não há avanço de tecnologia nem existe Inteligência Artificial”, afirmou Marchese. Ele também conclamou os conselheiros a defenderem pautas como essa, considerada estratégica para posicionar o país como um polo internacional em armazenamento e processamento de dados, diminuindo a dependência de infraestrutura localizada no exterior.

Representante do Rio Grande do Norte — estado que alcançou em 2025 o maior percentual do país de geração de energia a partir de fontes renováveis, com 99% da produção oriunda do vento e do sol —, a vice-presidente do Confea e engenheira civil Ana Adalgisa manifestou apoio à proposta e destacou o potencial estratégico do Brasil nesse cenário. “O país tem que investir nesse setor para atrair investidores e aproveitar nossa produção de energia renovável, que temos em abundância no Rio Grande do Norte”, afirmou Adalgisa, ao destacar ainda que o estado gera mais energia do que consome. Ao determinar que o fornecimento de energia elétrica para esses empreendimentos seja feito exclusivamente por fontes limpas ou renováveis, o Redata estabelece uma conexão direta entre inovação tecnológica e compromisso com a sustentabilidade.
Confira a íntegra da manifestação do conselheiro federal e engenheiro eletricista Brazil Versoza:
“A expansão de data centers é tema estratégico para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país. Trata-se de um segmento que envolve investimentos de grande porte, geração de empregos qualificados e estimula a cadeia produtiva de energia, telecomunicações e construção civil, além de contribuir para o fortalecimento e soberania digital e da competitividade nacional. O ambiente de negócios voltado para a economia digital exige previsibilidade regulatória, segurança jurídica e clareza de diretrizes. A definição de um marco de incentivos adequado é fator determinante para que o Brasil possa competir de forma equilibrada com outros países que já vêm adotando políticas ativas de atração de investimento nesse setor. Então, reforçamos a importância de que o tema seja pautado com a brevidade e prioridade que sua relevância estratégica recomenda, permitindo um debate técnico, responsável, respeitando o meio ambiente e alinhando os interesses de longo prazo do país. O Brasil dispõe desse potencial energético, territorial e tecnológico significativo para se consolidar como polo de infraestrutura digital da América Latina. Transformar esse potencial em realidade depende de decisões tempestivas e estruturantes. Então, seguimos confiantes na sensibilidade institucional do Senado federal para a adequada condução da matéria.”

Distribuição de grandes volumes de dados
Praticamente todas as atividades digitais do cotidiano dependem de um data center: desde o envio de mensagens, uso de GPS e aplicativos de transporte, até transações financeiras via cartão ou PIX, publicações em redes sociais, streaming de filmes e o trabalho remoto. Cada uma dessas ações gera uma grande quantidade de dados que precisam ser processados em segundos. E é justamente nos data centers que essa “avalanche” de informações é organizada e disponibilizada para usuários em todo o mundo.
Data center é uma infraestrutura tecnológica dedicada ao processamento, armazenamento, tratamento e distribuição de grandes volumes de dados em alta velocidade e com segurança. Trata-se de um ambiente físico que reúne servidores, sistemas de rede, equipamentos de armazenamento e estruturas de energia e refrigeração, responsáveis por manter serviços digitais funcionando de forma contínua. É nesse contexto que entram os engenheiros responsáveis por garantir o funcionamento contínuo dos data centers, mantendo velocidade, conexão e segurança em níveis confiáveis.
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Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea
Fotos: Thalita Sousa/Confea
